Sede Leais no Peso e na Medida
O Isslam proíbe terminantemente todo o tipo de fraude, seja na compra e venda, ou em qualquer outro assunto entre pessoas.
Em todas as situações o crente deve ser honesto e verdadeiro, tomando e tratando a sua fé como a coisa mais valiosa do que qualquer outro ganho mundano.
O Profeta Muhammad S.A.W. disse: "Numa transacção comercial, qualquer das partes tem o direito de cancelá-la enquanto ainda não se tiverem separado. Nisso, se eles disserem a verdade e esclarecerem tudo, serão abençoados na sua transacção, mas se mentirem e ocultarem algo, então ser-lhes-á retirada a bênção".
E disse também: "Não é permitido vender qualquer artigo sem antes esclarecer tudo acerca do mesmo, e nem é permitido que alguém, conhecendo os defeitos do seu produto, se abstenha de os mencionar".
Certa vez, quando estava passando junto a um vendedor de cereais, o Profeta S.A.W. introduziu a sua mão no fundo de um saco que continha grão, e notou que por dentro o produto se apresentava húmido, ao que perguntou: "O que é isto ó comerciante"? O homem respondeu: "É devido à chuva"! Então o Profeta retorquiu: "E, por que razão não puseste a parte húmida por cima para que as pessoas a possam ver? Separe a parte húmida da seca e venda-as separadamente". Em seguida acrescentou: "Quem nos engana, não pertence ao nosso grupo".
Os crentes dos primeiros anos que se seguiram ao ressurgimento do Isslam observavam rigorosamente a prática de exposição de defeitos dos produtos que vendiam, eram verdadeiros no que diziam, e davam sempre bons conselhos.
Uma outra forma de defraudar o cliente é medir ou pesar incorrectamente. O Al-Qur'án enfatiza este aspecto da transacção comercial, incluindo isso na lista das dez obrigações descritas, ao dizer no Cap. 6, Vers. 152:
"Sede justos na medida e no peso".
E no Cap. 17, Vers. 35 diz:
"E quando medis, medi com rectidão; E usai balanças correctas; É mais justo assim, e de melhores consequências".
E diz ainda no Cap. 83, Vers. 1 - 6:
"Ai dos defraudadores; Que exigem medida cheia quando recebem, mas quando medem ou pesam para entregar, enganam. Será que não acreditam que serão ressuscitados num Dia grandioso, no Dia em que todos os Homens se levantarão diante do Senhor dos Mundos"?
Um crente tem que tentar ao máximo, ser justo na medida e no peso. Infelizmente nos nossos dias, há muito desleixo nesta matéria, praticado pelos vendedores, particularmente os informais e os ambulantes, pois roubam no peso, pensando que com isso estão a ganhar, e que irão enriquecer.
O Al-Qur'án narra no Cap. 181, Vers. 183, uma passagem de gente que era desonesta nas suas transacções comerciais, desviando-se da justiça no peso e na medida. Então Deus enviou um mensageiro chamado Jetro (Shoaib) para corrigi-los, tendo este dito:
"Enchei a medida e não sejais defraudadores. Pesai em balança certa, e não diminuais os bens das pessoas. Não pratiqueis devassidão na Terra com a intenção de corrompê-la".
A religião não se circunscreve apenas aos rituais religiosos, pois estende-se a todas as nossas actividades sociais, políticas, comerciais, etc.
O que se diz em relação ao peso e à medida aplica-se também noutros assuntos e nas relações humanas. Um crente não pode fazer uso de dois pesos e duas medidas, uma para si e seus amigos, e outra para as outras pessoas em geral, exigindo na íntegra os seus direitos e os direitos daqueles que o apoiam, mas quando se trata de dar aos outros, aí ela priva-os, diminuindo os seus direitos.
É devido à ganância que a pessoa age desta maneira no seu dia a dia e nas suas práticas.
Para combater e desencorajar o crime e confinar o criminoso a uma esfera de actividade bastante limitada, o Isslam proibiu os muçulmanos de adquirirem qualquer artigo que saiba que foi roubado, usurpado, ou tomado injustamente à outrem. Quem fizer isso estará a encorajar o ladrão, usurpador, ou àquele que está a cometer injustiça, nas suas práticas criminais.
O Profeta Muhammad, S.A.W. disse: "Quem compra uma propriedade roubada, sabendo que se trata de algo roubado, então ele estará partilhando no pecado e no vergonhoso acto de roubar".
Nem com o passar do tempo o objecto roubado ou indevidamente apropriado se transforma em legal, pois no Isslam a simples passagem do tempo não transforma nunca o ilícito no lícito, nem priva o dono original desse artigo, do seu direito.