O Homem e o Anjo da Morte
Um homem tinha acumulado, com muito sacrifício, um vasto comércio e muitos empréstimos, avaliados em quase trezentos mil Dinares.
Então, ele pensou gozar a sua vida da melhor maneira, com o melhor dos confortos e, mais tarde, iria decidir sobre o seu futuro.
Mas, assim que decidiu parar de multiplicar o seu dinheiro, apareceu-lhe o Anjo da Morte, que lhe veio tirar a alma.
Com todos os argumentos que podia, o homem tentou dissuadir o Anjo; contudo, sem sucesso.
Então, disse ao Anjo: Conceda-me mais três dias e eu dar-lhe-ei um terço da minha riqueza.
O Anjo recusou e continuou com a sua missão.
O homem, já mais aflito, disse-lhe: Se tu me concederes mais dois dias apenas, eu lhe darei duzentos mil Dinares (dois terços da riqueza).
Mas o Anjo também se recusou a aceitar a proposta e informou que, mesmo que o homem se prontificasse a entregar toda a sua riqueza, não estaria disposto a conceder mais um dia extra da sua vida.
Então, o homem disse: Por favor, dá-me tempo suficiente para que eu possa escrever somente uma pequena frase.
Desta vez, o Anjo concedeu esse pequeno instante, e o homem escreveu com o seu próprio sangue, as seguintes palavras:
"Ó humanos! Façam bom proveito das vossas vidas. Eu não consegui comprar uma hora sequer com trezentos mil Dinares. Certifiquem-se de saber o verdadeiro valor do tempo"!