Ainda Sobre as Caricaturas
Um jornal dinamarquês publicou no mês de Setembro de 2005, caricaturas ofensivas contra o profeta Muhammad (SAW).
Este assunto, que tem feito correr rios de tinta, foi sobejamente defendido por alguns ocidentais, que acham ser direito à liberdade de expressão, discordando com o pedido de desculpas exigido ao jornal dinamarquês, pelo mundo isslámico em geral.
Posteriormente, estas e outras caricaturas do profeta Muhammad (SAW) foram reproduzidas em alguns jornais europeus e também em Moçambique, pelo semanário Savana.
A publicação das caricaturas insultuosas e ofensivas aos muçulmanos é algo de esperar por parte dos inimigos do Isslam. O Al-Qur’án informa-nos claramente acerca da atitude dos inimigos, tal como os miseráveis editores que se encontram espiritualmente falidos e num estado de decadência moral.
Este foi o segundo caso muito propalado, a seguir à publicação de uma obra bastante ofensiva, também contra o profeta Muhammad (SAW) – Os Versículos Satânicos, da autoria de Salman Rushdie.
Em ambos os casos, o mundo se apegou ao princípio da liberdade de expressão, como se isso fosse algo inovador e descoberto pelo Ocidente.
O Isslam foi o pioneiro na defesa da liberdade de expressão genuína, salvaguardando no entanto, o respeito pelas pessoas, crença, honra, etc. Ela não é sinónimo de liberdade de ofensa; deve-se respeitar as crenças e as sensibilidades dos outros, mantendo o respeito mútuo apesar da diferença de opinião.
A liberdade de expressão defendida actual-mente não passa de um jogo de conveniência, e a história vem provando isso. Aliás, muitas das leis e princípios que o mundo defende hoje, tem a particularidade de ser por conveniência. A liberdade de expressão não deve ser condicionada por interesses do estado, políticos, comerciais, etc., pois doutra forma, não se deve chamar liberdade.
Após os bárbaros ataques de 11 de Setembro de 2001, a comunidade muçulmana na Europa em geral, não é livre de pronunciar o seu parecer sobre as posições que os governos ocidentais têm tomado em relação ao mundo isslámico, e se assim o fizerem, são conotados como terroristas, fundamentalistas, etc., pois os serviços secretos e de segurança dizem que o mesmo vai contra os interesses dos governos.
Onde está a tal liberdade de expressão? Como ela não convém ao Ocidente e vai contra os interesses americanos, é posta à parte. O mesmo acontece com a questão do holocausto.
As leis relacionadas à liberdade são condi-cionadas ou modificadas quando vão contra os interesses dos governos. Por exemplo, a lei anti-terrorismo que é defendida na Europa, permite condenar e prender alguém por mera suspeita de ligação ao terrorismo, o que vai contra a lei constitucional, que preconiza a condenação com apuramento de provas evidentes.
Por isso, a liberdade de expressão actualmente defendida tem um peso e duas medidas, assim como é a questão dos direitos humanos. O mundo testemunhou a forma como os soldados americanos e ingleses torturaram civís iraquianos. Na base de Guantánamo, os prisioneiros vivem em condições desumanas, onde são tratados como animais; não têm sequer direito a um julgamento. Porque então não se condena aos EUA e à Inglaterra? Pelo contrário, ainda são considerados defensores dos direitos humanos... mas que ridículo!
No entanto, os muçulmanos devem saber gerir essas provocações, não se deixando levar pelas emoções, pois com tudo isso, os descrentes pretendem desviar a atenção dos muçulmanos em relação à sua tarefa neste mundo. Por outro lado, isto deve servir de lição para todos nós, e começarmos a analisar certos aspectos que podem ser considerados piores do que a publicação das caricaturas.
PIOR DO QUE AS CARICATURAS
Os muçulmanos devem compreender que o desrespeito às ordens de ALLAH e ao Sunnat do profeta Muhammad (SAW), são piores do que as caricaturas publicadas pelos inimigos.
– A maior parte do Ummat não pratica regularmente o Salát. O abandono desta prática, que é um pilar do Isslam, causa mais dor ao Profeta (SAW) do que as caricaturas ofensivas.
– A repugnante aparência das faces dos homens muçulmanos, com as suas barbas rapadas, é pior e mais detestável do que as caricaturas. Enquanto que as caricaturas não causaram qualquer ferimento a Rassulullah (SAW), a lâmina que o homem muçulmano usa para rapar a sua barba, “corta” o seu coração.
– As mulheres muçulmanas que abandonam os seus lares para vaguearem nas ruas e mercados (sem necessidade), à semelhança das suas homólogas ocidentais, em flagrante violação às proibições qur’ánicas, causa maior dor e mágoa a Rassulullah (SAW) do que as caricaturas ofensivas.
– A aparência que os muçulmanos ostentam ao emular o estilo e a moda dos pecadores e descrentes, é pior e entristecem mais o Profeta (SAW), do que as caricaturas.
– Os homens com barbas e jubbás, as mulheres com longas vestes flutuantes e outros, mesmo intitulando-se de muçulmanos, frequentam locais proibidos, tais como bares, casinos, discotecas, etc., isso é mais grave do que as caricaturas ofensivas.
– Os Álimos que subvertem a religião e que minam o Isslam através de falsas interpretações, devido a interesses mundanos e carnais, magoam mais ao Profeta (SAW) do que as caricaturas, pois eles são seus herdeiros.
– O total abandono do “Amr bil Ma’ruf e Nahi Anil Munkar” (exortar o bem e proibir o mal), até mesmo por parte dos Álimos, que supostamente devem pertencer à fraternidade dos Ulamá-e-Haq, é mais grave do que as caricaturas ofensivas e vai contra a prática de Rassulullah (SAW).
Inúmeros outros actos de flagrante transgressão, imoralidade, traição, adultério, desonestidade, prática de juros, consumo de Harám, etc., perpetrados por este Ummat que diz ser muçulmano, todos eles são piores do que a publicação e reprodução das caricaturas ofensivas, e causam maior dor e mágoa ao Profeta (SAW).
O insulto das caricaturas é considerado medíocre, quando comparado com o horrível insulto que os muçulmanos cometem contra Rassulullah (SAW).
Mais ainda, o primeiro insulto causou dor a nós – o Ummat – mas não a Rassulullah (SAW).
O que causa maior dor e mágoa ao nosso querido e amado Profeta (SAW), são as acções do Ummat que são apresentadas perante ele todas as Segundas e Quintas, quando depara com uma trasngressão massiva das Leis do Shari’ah e o desprezo pelos mandamentos de ALLAH, cometidos por este rebelioso e traiçoeiro Ummat, que proclama erguer-se para defender a honra de Rassulullah (SAW).
Deixemos de ser irónicos!
Que ALLAH dê compreensão e guie a todo o Ummat no caminho certo.