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Ali Ibn Abi Tálib (RTA)

Sayidina Ali (RTA) é descendente da eminente família de Banu Háshim. Nasceu no ano 598 DC, dez anos antes da profecia ser conferida a Muhammad (SAW).
Era filho de Abu Tálib, o querido tio do profeta Muhammad (SAW), e neto de Abdul Mutallib. Assim, ele era primo de primeiro grau do Profeta (SAW).
A sua mãe chamava-se Fátima Bint Assad (RTA), que emigrou para Madina após ter abraçado o Isslam. Quando ela faleceu, Rassulullah (SAW) utilizou a sua própria camisa para servir de mortalha e embrulhá-la, antes de ser enterrada. Ao ser interrogado a respeito deste seu honroso procedimento, Rassulullah (SAW) exclamou: “Eu estou grandemente em dívida para com esta mulher piedosa depois de Abu Tálib.”
Abu Tálib deu o nome de “Zaid” ao seu filho, enquanto que Fátima, a mãe, chamou-o por “Assad” (Haidar).

Narra-se que certa vez, a criança encontrava-se deitada no seu berço e uma víbora avançou em sua direcção. Então, ela agarrou-a com tal força, que a víbora morreu de imediato, mesmo antes de conseguir morder-lhe. Nessa altura, a mãe exclamou: “Longa vida, meu filho bravo”. Desde então, ela começou a chamar-lhe por “Haidar”.
O Profeta (SAW) concedeu-lhe o nome de “Ali”, que significa elevado, sublime.

Ele era popularmente conhecido por “Abu Turáb” e “Abu Al-Hassan”. Certa vez, o Profeta (SAW) viu-lhe deitado sobre o chão empoeirado no Massjid, e disse-lhe: “Levanta-te ó Abu Turáb (o que está deitado na poeira)”. Assim, “Abu Turáb” veio a tornar-se a alcunha de Sayidina Ali (RTA).


QUALIDADES DE ALI (RTA)
 

A tribo de Banu Háshim, à qual Sayidina Ali (RTA) pertencia, gozava de grande respeito por toda a Arábia. A honra da custódia da Sagrada Casa de ALLAH – o Ká’bah – foi confiada a esta tribo.
Abu Tálib ocupava uma posição eminente e exercia uma influência considerável nos afazeres dos Quraish. No decorrer do tempo, as circunstâncias não eram muito favoráveis, pois encontravam-se em apuros devido à sua extensa família.
Com o intuito de lhe ajudar, o seu irmão Abbáss (RTA) assumiu a responsabilidade de um dos seus filhos, Jaffar (RTA), enquanto que o Profeta (SAW) levou Ali (RTA) consigo, para educá-lo e criá-lo. Foi por isso que ele teve a oportunidade de viver com o Profeta (SAW).
Sayidina Ali (RTA) era bravo e corajoso desde a infância. Ele gostava muito de pugilismo. Raramente falhava o alvo quando usava setas e era bastante experiente na matéria de espada.
Geralmente os árabes eram iletrados. Contudo, Sayidina Ali (RTA) era de entre os felizardos que podia ler e escrever; era um erudito de renome. Fazia uso perfeito das palavras, sendo capaz de proferir palestras eloquentes e impressivas.
Antes do Isslam, os árabes eram na maioria politeístas. Apesar de eles adorarem ídolos e deuses feitos de pedra e madeira, Sayidina Ali (RTA) odiava a adoração de ídolos mesmo antes de abraçar o Isslam.
Ele era um homem nobre e piedoso; não gostava da batota, do uso de bebidas alcoólicas e derramamento de sangue, desde a sua infância. Isto transformou a sua mente e concedeu-lhe uma visão profunda e amor pela verdade.
Devido ao seu relacionamento aconchegado com o profeta Muhammad (SAW), ele esforçou-se em se tornar perfeito em todas as fases da vida, e sempre soube distinguir o bem do mal.
Ele adquiriu conhecimento e piedade e obteve inspiração e orientação directamente de Rassulullah (SAW). Por essa razão, quando foi convidado a abraçar o Isslam, foi de entre os primeiros que prontamente responderam ao chamamento de Rassulullah (SAW).
 

O PRIMEIRO JOVEM A ABRAÇAR O ISSLAM
 

Sayidina Ali (RTA) foi o primeiro de entre os jovens a se converter ao Isslam.
Certo dia, ele viu o profeta Muhammad (SAW) e a sua esposa Khadija (RTA) enquanto estes se encontravam na oração. Ficou bastante surpreendido ao deparar que nenhuma estátua se encontrava à frente deles. Por considerar algo de novo, interrogou ao Profeta (SAW): “Que rituais estais vós a praticar?”
Ao que o Profeta (SAW) respondeu: “Estávamos adorando ALLAH, que me escolheu como Seu Mensageiro. Convido-te para que te juntes a mim na religião de Isslam, e renuncies os ídolos de Lát e Lizza que não podem beneficiar nem prejudicar os adoradores”.
Rassulullah (SAW) instruiu a Ali (RTA) que adorasse apenas Um, Único e Verdadeiro ALLAH. Recitou os seguintes versículos do Sagrado Al-Qur’án:
“Assim é ALLAH, o teu Senhor. Não existe Deus excepto Ele, o Criador de todas as coisas. Por isso, adorai-O e Ele é o Guardião de todas as coisas.”

[Al-Qur’án 6:103]


Sayidina Ali (RTA) nunca tinha ouvido tais versículos antes, ficando bastante fascinado ao ouví-los. Ele resolveu aceitar Isslam, mas expressou o seu desejo de antes consultar o seu pai, Abu Tálib. Passado alguns dias, logo de manhã dirigiu-se para junto do Profeta (SAW), professando o Isslam com a sua livre vontade.
 

PARTICIPAÇÃO EM GUERRAS SANTAS
 

Sayidina Ali (RTA) teve a sorte de participar em quase todas as batalhas, onde aplicou a sua valentia e coragem. Ele semeava medo e temor nos corações dos infiéis.
Na Batalha de Badr, a primeira na história do Isslam, foi ele quem segurou a bandeira do Isslam, do valente exército de 313 muçulmanos que estavam determinados a sacrificar as suas vidas pela causa do Isslam.
A sua participação em grandes batalhas como Uhud, Ahzáb, Khaibar, conquista de Makkah, etc., também são exemplos de grande coragem a serem seguidos pelas gerações vindouras.
 

CASAMENTO COM FÁTIMA (RTA)
 

Sayidina Ali (RTA) teve a honra de se tornar frescura aos olhos de Rassulullah (SAW), devido à sua admirável devoção, piedade absoluta e coragem indomável. Rassulullah (SAW) ergueu ainda mais o seu prestígio, ao entregá-lo em casamento a sua querida e piedosa filha Fátima (RTA).
Sayidina Ali (RTA) vendeu o seu camelo, escudo e alguns artigos a fim de conseguir dinheiro para o dote e Walima (refeição providenciada pelo noivo). Ele preparou o Walima de forma bastante simples, em que foram servidos tâmaras, queijo e pão de cevada.
Três rapazes – Hassan, Hussein e Muhssin y, e duas raparigas – Umme-Kulssum e Zainab (RTA), foram o fruto deste abençoado casamento.
 

ASCENSÃO AO KHALIFADO
 

Após o martírio de Sayidina Ussmán (RTA), prevaleceu a anarquia por toda a Madina. Tudo se encontrava sob controlo dos terroristas. A população civil estava descontrolada e a autoridade havia desaparecido.
Sob estes tumultuosos momentos, Sayidina Ali (RTA) assumiu as rédeas do Khalifato. Sem sombra de dúvida, ele era a pessoa mais apropriada e indicada para o cargo, tendo aceite esta responsabilidade para salvaguardar o Isslam de um perigo eminente, confusão total e desintegração.
 

CARACTERÍSTICAS SALIENTES DE ALI (RTA)
 

a) Bom Orador
Sayidina Ali (RTA) não só era um grande guerreiro mas também um bom orador. O seu discurso era sempre impressionante e convincente. Fascinava até os idólatras, que se aglomeravam à sua volta e escutavam atentamente a mensagem de Isslam, acabando por, muitas vezes, aceitar o Isslam.

b) Austeridade e Simplicidade
Ele teve uma vida áustera e bastante simples; até aos 25/26 anos, viveu com o Profeta (SAW), tentando seguí-lo de todas as formas.
Após o casamento com Sayidatina Fátima (RTA), começou a viver em separado. Uma simples cama recheada de folhas das palmeiras, um recipiente para armazenar de água, duas pedras moedeiras e dois cântaros de barro que a sua esposa havia trazido consigo. Era tudo o que compunha o recheio doméstico deles.
A sua esposa executava todos os afazeres domésticos, enquanto que ele ganhava o sustento através do trabalho manual. Foram vários os dias em que passaram sem alimentação, situação esta que existiu mesmo após ele ter assumido o cargo de Khalifa, não se sentindo rebaixado por continuar a executar o trabalho manual, até mesmo remendar os seus próprios sapatos.


c) Generosidade
Apesar de não possuir meios adequados de subsistência, jamais deixava algum mendigo voltar desapontado da sua porta.
Certa vez, irrigou uma machamba durante toda a noite, em troca de alguma cevada, que dividiu em três partes e cozinhou uma delas. Quando a comida ficou pronta, apareceu um mendigo e ele entregou-a toda. De seguida, preparou a segunda parte, mas quando pronta, apareceu um órfão a quem também a entregou. O mesmo sucedeu com a terceira parte, que fora entregue a um prisioneiro.

d) Tratamento para com os inimigos
Rassulullah (SAW) afirmou: “Bravo não é aquele que domina o seu inimigo, mas sim aquele que controla as suas paixões e os seus desejos”. Sayidina Ali (RTA) era um exemplo vivo deste preceito. Ele perdoou os seus inimigos e nunca os maltratou.
Quando o seu próprio assassino – Ibn Muljim – lhe foi apresentado, afirmou: Alimentem-no bem e façam-no dormir numa cama confortável. Se eu recuperar, irei decidir sobre o seu destino ou perdoá-lo; mas se eu morrer, então encaminhem-no à morte, porém, não o torturem nem o mutilem.

e) Justiça
Sayidina Ali (RTA) era conhecido pela sua imparcialidade e justiça.
Toda a quantia que recebia do Baitul-Mál (Tesouro Público), ele distribuía-a equitativamente. Nem mesmo atendia o pedido do seu irmão Aquil, de lhe dar ligeiramente mais da sua quota-parte.
Certa vez, surgiu um caso interessante perante Sayidina Ali (RTA). Duas pessoas sentaram-se para a refeição, possuindo uma delas cinco pães, e a outra três. Quando estavam prestes a começar a refeição, juntou-se a elas um terceiro homem, e assim todos partilharam os oito pães.
O terceiro homem deixou 8 moedas e foi-se embora. A pessoa que possuía cinco pães levou 5 moedas e entregou as restantes 3 ao dono dos três pães. Este último insistiu para que a distribuição fosse feita equitativamente, chegando o caso para junto de Sayidina Ali (RTA).
Sayidina Ali (RTA) aconselhou ao homem a aceitar a oferta que lhe estava sendo feita, pois era mais lucrativa, mas o mesmo insistiu no caso pedindo justiça. Então, Sayidina Ali (RTA) ordenou para que 7 moedas fossem entregues ao dono dos sete pães e 1 ao outro, que expressou a sua consternação.
Sayidina Ali (RTA) explicou a razão da sua decisão. Ele disse que cada pão, devia-se presumir ter sido dividido em três partes. Assim, o homem com cinco pães tinha 15 partes e o com três pães tinha 9, perfazendo um total de 24 partes. Como três pessoas partilharam a refeição, deduz-se que cada uma delas tenha comido oito partes. Deste modo, a primeira pessoa comeu 8 das 9 partes (ficando uma para a terceira pessoa), e a segunda também comeu 8 partes mas contribuiu com 7 para a terceira pessoa. Daqui pressupôs-se que um receba 7 moedas e o outro apenas uma.

f) Erudição
Rassulullah (SAW) referia-se a Sayidina Ali (RTA) como “A Porta do Ilm”. Ele memorizou o Qur’án e sabia com precisão quando, onde e em que circunstância cada versículo tinha sido revelado. De entre os Sahábas, somente Sayidina Abdullah Ibn Abbáss (RTA) poderia se comparar com ele.
Ele permaneceu por um período de 30 anos na companhia de Rassulullah (SAW), razão pela qual era bem versado a respeito de muitas tradições. A interpretação a respeito do Qur’án e Hadices era considerada autoritária.

g) Vertente Religiosa
Sayidina Ali (RTA) era muito regular não só a respeito das orações obrigatórias, mas também das facultativas. Frequentemente passava noites na adoração, envolvendo-se nelas de tal forma que nada mais o perturbava.

h) Aparência
Ele tinha uma aparência corada, não muito alto, mas com uma boa estatura e uma postura humilde; tinha uma barba fluxuosa e olhos ligeiramente acinzentados.
 

ALGUMAS TRADIÇÕES A RESPEITO DE ALI (RTA)
 

Sayidatina Umme-Salama (RTA) narra que Rassulullah (SAW) disse: “Aquele que abusar a Ali (RTA) (é como se tivesse) abusado a mim”.

[Ahmad]
 

E narra ainda que Rassulullah (SAW) disse: “Nenhum hipócrita ama Ali (RTA) e nenhum crente odeia a ele”.

[Ahmad]
 

Sayidina Ali (RTA) narra que Rassulullah (SAW) disse: “Eu sou a casa da sabedoria e Ali (RTA) é a sua porta. Aquele que deseja obter sabedoria, ele que venha através da sua porta”.

[At-Tirmizi]
 

Sayidina Sá’ad Ibn Abi Waqqáss (RTA) narra que Rassulullah (SAW) disse: “Tu és para mim como Harun (Arão) era para Mussa (Moisés), à excepção de que não existirá outro profeta depois de mim”.

[Al-Bukhari, Musslim]

 

Sayidina Abdur Rahman Ibn Auf (RTA) narra que Rassulullah (SAW) disse: “Abu Bakr (RTA) está no paraíso; Umar (RTA) está no paraíso; Ussmán (RTA) está no paraíso; Ali (RTA) está no paraíso; Tal-há (RTA) está no paraíso; Zubair (RTA) está no paraíso; Abdur Rahman Bin Auf (RTA) está no paraíso; Saíd Bin Zaid (RTA) está no paraíso; Sá’ad Ibn Abi Waqqáss (RTA) está no paraíso; e Abu Ubaida Bin Al-Jarrah (RTA) está no paraíso”.

[At-Tirmizi, Ibn Májah]