Como o Muçulmano Deve Jurar
Al-Yamin, significa jurar em nome de
ALLAH ou através dos Seus atributos, como por exemplo, Wal-láhi lá-af alanna
kazá (por ALLAH, certamente que farei assim...) ou Wal’lazi nafssi biyadihi (por
Aquele que controla a minha vida nas Suas Mãos).
O juramento é uma “promessa” para com ALLAH, que deve ser cumprida em
conformidade com as directivas Divinas. A quebra do juramento sem razões
plausíveis é um pecado extremamente grave. Por isso, o muçulmano deve possuir
conhecimento acerca dos requisitos e pormenores relacionados com esta matéria.
REGRAS DE JURAMENTO
É permitido jurar em nome de ALLAH,
pois o Profeta (SAW) jurou dizendo: “Juro por ALLAH, além do qual não existe
outra Divindade”. Ele também jurou assim: “Juro por Ele, em cujas mãos está a
vida de Muhammad”. O anjo Jibraíl (AS) também jurou pela Honra de ALLAH.
Não é permitido jurar por qualquer outro ser, objecto ou nome além de ALLAH e
dos Seus atributos, quer seja algo honrado ou santificado, como por exemplo,
jurar em nome do sagrado Kaãba ou em nome de um profeta. Certa vez, quando o
Profeta (SAW) ouviu Sayidina Umar (RTA) a jurar pelo seu pai, disse-lhe: “ALLAH
proíbe-vos de jurar pelos vossos pais. Quem jurar, que jure por ALLAH ou se
mantenha calado”.
[Al-Bukhari e
Musslim]
E segundo outra afirmação do Profeta (SAW): “Aquele que jurou por outro além de ALLAH, cometeu Shirk".
[Ahmad]
Consta ainda: “Aquele que jurou por outro além de ALLAH, cometeu Kufr”.
[Abu Dawud]
TIPOS DE JURAMENTO
1. Gamuss
É prestar deliberadamente um falso juramento, como por exemplo, dizer “juro por
ALLAH que comprei isto por 50.000 MT”, quando na verdade não comprou por esse
preço, ou dizer “juro por ALLAH que fiz assim”, enquanto não fez desse modo.
Este tipo de juramento é expressamente proibido (Harám), segundo a afirmação do
Profeta (SAW) que disse: “Aquele que jurou falsamente com o intuito de usurpar
os bens do irmão muçulmano, ele encontrará ALLAH em estado de fúria.”
[Al-Bukhari e Muslim]
Embora não haja qualquer tipo de expiação para este tipo de juramento, ser-lhe-á
obrigatório (Wájib) efectuar o Tauba (perdão e arrependimento) com toda a
sinceridade, abandonando de imediato esta prática devido à magnitude do pecado.
É também aconselhável compensar à pessoa lesada, dependendo do caso.
2. Lag’w
É um juramento fútil, que é pronunciado pelo muçulmano sem contudo ter intenção
para tal, como por exemplo, a pessoa que utiliza excessivamente na sua fala,
palavras como Walláhi ou Balá Walláhi, etc.
Embora não haja qualquer tipo de expiação ou pecado para este tipo de juramento,
deve-se evitar ao máximo o uso excessivo do nome de ALLAH para fins fúteis.
Um dos objectivos do juramento é convencer o próximo da veracidade das suas
palavras. Caso seja possível alcançá-lo sem recorrer ao uso do sagrado nome de
ALLAH, então porquê aplicá-Lo para fins fúteis?
Certamente que esta prática deve ser evitada, caso contrário, deixar-se-á de dar
o valor real que a palavra ALLAH merece, tornando-se numa mera palavra vulgar.
3. Mun’aquidah
Este é o juramento que é efectuado com o intuito de concretizar algum assunto no
futuro, como por exemplo, pronunciar “juro por ALLAH que farei assim” ou “juro
por ALLAH que jamais farei assim”. Este é o tipo de juramento, pela qual a
pessoa poderá ser repreendida.
Neste tipo de juramento, caso a pessoa não cumpra com o seu juramento,
tornar-se-á pecadora e sujeita ao pagamento de Kaffarah. Se assim fizer, será
absolvida do pecado.
EXPIAÇÃO PELO
JURAMENTO
Existem quatro
métodos para a expiação (Kaffarah) pelo não cumprimento do juramento, devendo-se
segui-los na seguinte ordem, pois esta é a sequência referida no Al-Qur’án:
1. Alimentar dez pessoas necessitadas, através de uma refeição considerada média
e suficiente para satisfazê-las. Poder-se-á alimentar em conjunto ou
individualmente, seja de dia ou de noite;
2. Providenciar vestuário que seja suficiente para o Salát, i.é, que sirva para
cobrir o Satr (partes necessárias a serem cobertas no Salát) da pessoa. Para o
caso da mulher, dever-se-á providenciar o vestuário para o corpo todo, incluindo
a cobertura total dos cabelos, pois isto é o requisito mínimo para ela;
3. Libertar um escravo muçulmano;
4. Jejuar três dias e de preferência consecutivos, caso contrário, poderão ser
alternativos.
JURAR PELO
AL-QUR’ÁN
Se alguém jurar pelo
Al-Qur’án, assim como tem sido hábito de muitas pessoas dizerem “Imanti Qur’án
Sharif”, e se a intenção for de estar a jurar pelas palavras de ALLAH, então
esse juramento será considerado válido e terá que ser cumprido; caso contrário,
a pessoa terá que pagar a expiação, conforme atrás mencionado.
Em geral, todos os Imámes consideram-no um juramento realizado [vide Al-Mugni],
pois ele é feito com o uso de palavras eternas de ALLAH.
Sayidina Qatádah (RTA) costumava jurar pelo Al-Qur’án, e é sabido que a pessoa
quando jura, não tem intenção de estar a fazê-lo apenas pelas folhas do
Al-Qur’án ou pela encadernação em si, mas por aquilo que se encontra escrito
nele, que são palavras Divinas.