Tal-há Bin Ubaidullah (RTA)
Sayidina Tal-há Bin Ubaidullah (RA) era um dos companheiros do profeta Muhammad (SAW) e pertencia à clã de Banu Taim Bin Murrah, da tribo Quraish; era também conhecido por Abu Muhammad.
A sua linhagem junta-se com a de Sayidina Abu Baqr (RA) em Ká’b Bin Sá’d e foi através do mesmo que abraçou o Isslam. Era também de entre as dez pessoas que foram abençoadas durante a vida terrena, com a boa-nova que seriam de entre os habitantes do Paraíso.
Certa vez, quando ainda era pagão, ao visitar o mercado de Sanq-Basri, onde os comerciantes árabes costumavam aglomerar-se para transacções comerciais, deparou-se com o Profeta (SAW), que na altura ainda era jovem. Como tinha ouvido um monge cristão, de nome Buhaira, a elogiar o Profeta (SAW), viu nele sinais de profecia.
Quando o Profeta (SAW) proclamou a profecia, Sayidina Tal-há (RA) já estava preparado para aceitá-la. Juntamente com Sayidina Abu Baqr (RA), ele apresentou-se perante o Profeta (SAW) e abraçou o Isslam.
Fisicamente, ele tinha uma pele escura e cabelos lisos; era elegante na aparência e andava com uma certa rapidez. Quando os seus cabelos ficavam brancos, ele não os tingia.
Amor Pelo Profeta (SAW)
Sayidina Tal-há (RA) nutria um profundo amor pelo profeta Muhammad (SAW). O seu comportamento provou na prática a narração em que Sayidina Ánass (RA) afirma que o Profeta (SAW) disse: “Nenhum de vós atingirá (perfeição na) crença e fé, enquanto não amar mais a mim do que o seu pai, filho e toda a Humanidade”
[Bukhari]
Ele amava o Profeta (SAW) mais do que os próprios pais, filhos e toda a sua riqueza e não só, amava-o mais do que a sua própria alma.
Na batalha de Uhud, quando alguns muçulmanos começavam a se retirar, ele manteve-se firme como um leão destemido, para defender o Profeta (SAW), enquanto flechas eram lançadas em seu redor. Ele comprometeu-se a morrer pela causa de ALLAH.
Mérito Nas Batalhas
Sayidina Tal-há (RA) era conceituado pela sua piedade e era um dos vanguardistas do Isslam.
Ele suportou pacientemente todas as maldades que os infiéis planeavam contra si. Emigrou para Madina juntamente com o Profeta (SAW); era considerado um grande seguidor dele.
Na batalha de Badr, foi-lhe incumbida a tarefa de reconhecer os movimentos das caravanas de Makkah, o que impediu-o de participar activamente nessa batalha; porém, o Profeta (SAW) incluiu-o na lista daqueles que iriam receber os despojos de guerra.
Na batalha de Uhud, foi nomeado para proteger o Profeta (SAW) e para enfrentar o ataque dos inimigos.
Ele teve 24 ferimentos e perdeu dois dedos nesta batalha. Estes actos de grande mérito e estima mereceram respeito e consideração pela sua devoção, razão pela qual o dia de Uhud foi denominado “dia de Tal-há Bin Ubaidullah”.
Sayidina Abdullah Ibn Zubair (RA) narra que ouviu Rassulullah (SAW) a afirmar nesse dia: “Tal-há merece reconhecimento e honra por aquilo que fez no dia de Uhud”.
Desde esta batalha, ele participou em todas as expedições lideradas pelo Profeta (SAW), estando também presente na ocasião do Bait-e-Rizwán e na batalha de Hunain, após a conquista de Makkah.
Generosidade
Sayidina Tal-há (RA) era uma pessoa abastada e também generosa.
Certa vez, ele comprou um poço somente para distribuir água entre os muçulmanos. Frequentemente suportava todas as despesas de alimentação do exército muçulmano e contribuía monetariamente noutras despesas. Por essa razão, o Profeta (SAW) costumava chamar-lhe por “Tal-hatul-Khair” e “Tal-hatul-Faiyáz”, ou seja, o benevolente e o generoso.
Certo dia, recebeu a enorme quantia de 700 mil Dirhams de Hadhramaut e distribuiu-a toda entre os Muhájirin (emigrantes) e Ansár, deixando apenas mil com a sua esposa.
Costumava ajudar os pobres, órfãos, viúvas e destituídos da clã Banu Taim. Chegava ao ponto de suportar as despesas de casamento de pessoas pobres da mesma clã.
Ele tinha tanto respeito pela “mãe dos crentes” Sayidatina Aisha (RTA), que lhe oferecia mil dirhams anualmente.
Sayidina Abu Baqr (RA) e Sayidina Umar (RA) consultavam-no frequentemente durante os seus khalifados.
Quando o terceiro Khalifa Ussman (RA) foi assassinado, Sayidina Tal-há (RA) juntou-se ao movimento que exigia a retaliação pelo assassinato, o que culminou com a batalha de Jamal no ano 36 AH.
Certa vez, um beduíno foi ter com Sayidina Tal-há (RA) e pediu-lhe um empréstimo. Sayidina Tal-há (RA) disse ao beduíno: “Esta é uma relação sanguínea, ninguém antes fez-me um pedido como esse. Eu tenho um talhão pelo qual Ussman propôs-me 300 mil; se aceitares, irei vendê-lo a Ussman (RA) e entregar-te-ei a importância proveniente da venda”.
O beduíno disse: “Eu desejo o preço”. Sayidina Tal-há (RA) vendeu o terreno a Sayidina Ussman (RA) e entregou o valor obtido ao beduíno.
A Eloquência de Tal-Há (RA)
Ele era um bom orador e sabia exactamente o que dizer na altura devida.
Certa vez, Sayidina Umar (RA) consultou as pessoas a respeito de confrontar os persas que se haviam aglomerado em Nahawand. Sayidina Tal-há (RA) levantou-se e, após recitar o testemunho de fé, afirmou: “Ó Comandante dos fiéis! Vós tendes suportado as dificuldades e aflições deste Mundo; por conseguinte, diga-nos o que devemos fazer e nós obedeceremos, chamai-nos e nós responderemos, liderai-nos e nós seguiremos, preparai as montadas e nós montá-las-emos. Vós sois responsável por velar os assuntos e vós fostes testado. Nada além do bom veio na sua via tal como ALLAH ordenara para si.”
A Sua Morte
Quando Sayidina Tal-há (RA) juntou-se ao exército que se dirigia para Kufa, foi incapaz de aceitar a guerra entre muçulmanos. Ele corajosamente mudou de ideia e retirou-se do campo de batalha, tentando resolver o conflito. A oposição não aceitou essa retirada e certos rebeldes pretendiam manter a linha de fogo.
Foi quando um dos rebeldes disparou uma flecha e atingiu a perna de Sayidina Tal-há (RA), cortando uma veia que o fez sangrar até à morte.
Ele faleceu numa Quinta-feira, 10 de Jumadal-Ukhra do ano 36 de Hijra. Na altura da sua morte, tinha cerca de 62 anos e deixou dez filhos, quatro filhas e muita riqueza.
Algumas Tradições a Respeito de Tal-Há (RA)
Sayidina Umar (RA) disse que ninguém era mais digno e merecedor de Khalifado do que aquelas pessoas com as quais Rassulullah (SAW) estava satisfeito na altura da sua morte, tendo mencionado o nome de Ussmán, Ali, Zubair, Tal-há, Sá’ad e Abdur-Rahman (RA) [Bukhari].
Sayidina Áli (RA) disse que os seus ouvidos escutaram Rassulullah (SAW) a pronunciar o seguinte: “Tal-há e Zubair serão meus vizinhos no Paraíso” [Tirmizi].
Sayidina Abu Huraira (RA) narra que Rassulullah (SAW) encontrava-se na montanha de Hira, quando esta começou a comover-se; nisso, Rassulullah (SAW) disse: “Hira, mantenha-te calma, pois sobre ti encontram-se um Profeta, um Siddiq (verdadeiro), um Shahíd (mártir)”, e na altura encontravam-se ali o Profeta (SAW), Sayidina Abu Baqr, Umar, Ussmán, Áli, Tal-há, Zubair e Sá’ad Ibn Abi Waqqáss (RA).
Quando Sayidina Ibn Abbass (RA) foi interrogado a respeito de Sayidina Tal-há e Zubair (RA), ele afirmou: “ALLAH que derrame a Sua misericórdia sobre eles. Eles eram muçulmanos, cumpridores dos seus deveres, piedosos e bastante virtuosos. Certamente, ALLAH irá perdoar os seus pecados e que ALLAH inflija a qualquer um que tente intervir entre dois fiéis”.
Sayidina Jábir (RA) disse: “Eu acompanhei Tal-há e jamais vi alguma pessoa doando tanto sem ser pedido além ele”.
Como Sayidina Tal-há (RA) era uma pessoa virtuosa e recta, a maioria dos Sahábah (RTA) e aqueles que os seguiram deram uma boa referência acerca dele.
Após a batalha do Camelo, Imran – o filho de Sayidina Tal-há (RA) – foi ter com Sayidina Áli (RA); depois de recebê-lo, este afirmou: “Rogo a ALLAH para que faça o seu pai e a mim de entre aqueles a respeito de quem ALLAH afirmou:
“E Nós havemos de remover dos seus peitos qualquer sentimento profundo de amargura (que porventura, eles possam possuir), para que eles se tornem como irmãos, encarando uns aos outros sob tronos.”
[Al-Qur’án 15:47]