Os Ditos do Profeta (SAW) e a Situação Actual
Áli (RA) narra que, certa vez, estavam sentados no Massjid na companhia do Profeta (SAW), quando derepente apareceu Muss’ab Ibn Umar (RA) num estado deplorável, em que tinha coberto o seu corpo apenas com um lençol, remendado com pedaços de pele.
Quando o Profeta (SAW) viu-lhe naquele estado, começou a chorar, por lembrar-se do luxo em que ele vivia, e disse: “Qual será a vossa situação, quando um de vós sair vestido com um par de roupa de manhã e à tarde vestirá outro par, e será colocado à vossa frente um prato e retirado outro, e tapareis as vossas casas assim como se tapa o Ká’bah?”
Os Sahábah (RTA) responderam: “Ó Rassulullah (SAW)! Em relação a hoje, nesses dias estaremos em melhores condições (pois estaremos livres de preocupações), dedicar-nos-emos mais ao Ibádat e estaremos salvos das dificuldades dos encargos e das despesas”.
Então, o Profeta (SAW) disse: “Não! Comparando com esses dias, hoje vocês estão melhor”.
[At-Tirmizi, At-Tarikh Al Kabir de Al-Bukhari]
Neste interessante Hadice, o Profeta (SAW) fez uma previsão da vida luxuosa em que estariam os muçulmanos. E como exemplo, apresentou três casos:
a) Vestir um par de roupa de manhã e outro à tarde
Nos nossos dias, notamos muito na classe burguesa, em que as pessoas trocam de roupa várias vezes por dia, um par de roupa para vestir no serviço, outra para casa, outro para as saídas e outro ainda para dormir. Em ocasiões especiais como casamentos, banquetes, etc., têm roupa para o Nikah, para o Registo Civil e ainda outra para o copo d’água.
b) Troca de pratos
Aqui, o Profeta (SAW) quis dizer que haverá tanta riqueza que as mesas estarão repletas de pratos. Num deles servir-se-á as entradas; depois, esses serão trocados por outros onde serão servidas as refeições; a seguir, os mesmos serão retirados para dar lugar aos pratos de sobremesa, frutas, etc.
E é exactamente isso que tem vindo a acontecer na camada burguesa.
c) Tapar as casas como se tapa o Ká’bah
Hoje em dia, embelezar as casas com cortinas valiosas, quer nas portas, nas janelas, assim como nos armários, tornou-se tão comum, que não há distinção entre ricos e pobres.
Portanto, as três predições do Profeta (SAW) acabaram por confirmar-se.
Quando os Sahábah (RTA) disseram que nessa altura estariam melhor (referindo-se aos dias de hoje), pois seriam mais dedicados ao Ibádat e não teriam preocupações de ganhar o pão, o Profeta (SAW) respondeu: “Não! Comparando com esses dias, hoje vocês estão melhor”.
Isso indica que a abundância da riqueza no seio dos muçulmanos, devido à sua má aplicação, nunca é boa, pois torna-se sempre causa do afastamento da religião e da devoção a ALLAH.
Se analisarmos a situação actual e geral dos muçulmanos, veremos claramente que aquilo que o Profeta (SAW) disse há quase 1.500 anos, tem-se confirmado letra a letra. Há muitos muçulmanos que são possuidores de grandes riquezas e, com excepção de alguns, quanto mais riqueza adquirem, mais se distanciam de ALLAH e da religião.
O Luxo do Ummat
Para se ter uma ideia da burguesia e do esbanjamento de dinheiro em lugares impróprios em que o Ummat se encontra mergulhado, vejamos três exemplos:
1. Segundo a revista “Ad-Dawah” de 27/08/1997, publicada em Londres e com dados da Câmara do Comércio de Riyad, a importação de cosméticos para mulheres tais como baton, vernizes, perfumes, etc., importados pela Arábia Saudita durante o ano de 1996, ultrapassaram os 3,73 milhões de Riyais (aproximadamente 1 milhão de USD).
2. No diário “Al-Ahrám” de 13/10/1984, publi-cado em Cairo, consta uma reportagem em que se faz uma comparação do uso do televisor e vídeo, entre o mundo árabe e a França.
Nessa reportagem, consta que na França, em cada mil pessoas dez possuem um vídeo, enquanto que no Kuwait, 490 pessoas possuem vídeo em cada mil; na Arábia Saudita, já são 750 possuidores de vídeo em cada mil pessoas. De salientar que essa comparação foi feita à 22 anos; hoje, todos já devem possuir vídeo ou DVD.
Nesses países, são gastos milhões de dólares na compra de televisores, enquanto milhões de muçulmanos pelo mundo fora vão morrendo à fome.
3. Recentemente, um monarca muçulmano ofereceu ao seu filho pela ocasião do aniversário deste, uma viatura da marca Mercedes-Benz, avaliada em cerca de 5 milhões de Dólares.
Para além de ser luxuosa, a referida viatura é repleta de diamentes e outros metais preciosos.
Todo isto acontece numa altura em que milhares de famílias muçulmanas enfrentam um momento de crise e sérias dificuldades tais como pobreza, fome e humilhação.
O montante gasto na aquisição do referido veículo, poderia muito bem ser aplicado em programas diversos de solidariedade para com as pessoas carentes, pois essa atitude traduz-se num espirito de elevado esbanjamento, o que ALLAH não aprova.
Cada um de nós não deve pensar que estas estatísticas não estão relacionadas connosco, pois para se chegar até esses números, começou-se a partir de gastos individuais de cada um em cada sociedade.
Uma Nota Importante
O Shari’ah não condena a pessoa por comer ou vestir bem e por ter uma boa casa, pois o Profeta (SAW) disse: “ALLAH gosta de ver o efeito da Sua graça no Seu servo”.
[Tirmizi]
Isso torna-se mau e condenável apenas quando não há gratidão para ALLAH, quando se mistura com dinheiro Harám, quando o amor pelo mundo aumenta e pelo Din diminui devido a isso, quando se criar orgulho, arrogância, desprezo pelos outros ou quando se atinge os níveis de esbanjamento ou uso indevido da riqueza. Se a pessoa usufruir-se da riqueza com gratidão a ALLAH e não haver esses males todos, então não há problema algum.
Contudo, nota-se que, no geral, quando a riqueza aumenta, a pessoa deixa de servir e cumprir o Din, sendo por isso que ALLAH diz que as riquezas é um teste e tentação para nós.
O Hadice inicial indica-nos que a possibili-dade da firmeza do Din na pobreza é maior do que na riqueza. É por essa razão que o Profeta (SAW) disse: “Por ALLAH, eu não temo a pobreza para vós, mas temo que o mundo seja estendido para vós e vós começareis a competir nisso, e sereis destruídos (assim) como foram destruídos os que vieram antes de vós”.