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Um Tributo à África

Sheikh Cássimo David

O Isslam foi bem recebido pelos africanos, uma vez que a sua doutrina adequava-se também à realidade dos povos deste continente. O princípio fundamental do Isslam é o reconhecimento de uma única Divindade e a Sua respectiva adoração.
Antes de serem influenciados pelos colonialistas europeus e pela superstição, os africanos tiveram sempre o conceito de um "Deus Eterno", que O consideravam Ser Supremo, Criador de tudo e de todos.

À medida que o tempo passava, sofreram grandes alterações pelas invasões dos colonialistas europeus, que semeavam discórdias neste continente, de modo a dividir os seus autóctones (indígenas) e impondo-lhes a sua cultura, hábitos e crenças religiosas.
Com esta divisão como um dado adquirido, surgiram as inimizades, a inveja e a maldade, pois os colonialistas favoreciam a uns e prejudicavam aos outros, criando assim um ódio entre irmãos de forma que uns queriam aniquilar os outros, usando forças sobrenaturais e invocando os seus defuntos, com armas de ataque para uns e de defesa para outros. Assim, começou a superstição e a idolatria.
Apesar da proliferação destes males, os africanos tinham sempre na consciência de que existe somente uma única Divindade suprema, facto esse que ainda hoje prevalece.
Apresentavam sempre boas qualidades, tais como hospitalidade, respeito, sinceridade, paciência, etc. Mesmo depois de terem sofrido influências externas, mantiveram sempre o espírito de colaboração, compreensão, con-fiança e justiça.
É por essa razão que a maior parte dos invasores não encontrou resistência, pois os povos nem sequer suspeitavam de que eles tinham intenções malignas e queriam aproveitar-se da bondade e hospitalidade africana, a fim de ocuparem e apoderarem-se destas terras.

Foi para África que ocorreu a primeira emigração dos muçulmanos de Makkah, no quinto ano da profecia de Muhammad (SAW).
Nessa altura, os Quraishitas torturavam os que abraçavam o Isslam, fazendo com que não houvesse mais espaço para aqueles que se revertiam à esta verdadeira religião. Em Makkah, os muçulmanos eram perseguidos e espezinhados para que abdicassem desta crença; contudo, ela tornava-se cada vez mais enraizada nos seus corações.
Na sua qualidade de "Misericórdia para a Humanidade", o Profeta (SAW) não se preocupava consigo nem com a sua família, mas sim com o seu povo e companheiros. Por não consentir a situação dos muçulmanos e, pelo conhecimento que possuía em relação às qualidades do rei da Abissínia, ordenou aos seus compatriotas de Makkah para que emigrassem àquele pais africano e só voltassem quando a situação melhorasse na Arábia.
Quando os Quaraishitas souberam desta emigração, tentaram impedí-la, porém, os muçulmanos já tinham seguido rumo à Abissínia. Mesmo assim, não consentiram e perseguiram os muçulmanos até à Abissínia.
Quando lá chegaram, usaram todo o tipo de artimanha a fim de influenciar o rei Negus, para que este expulsasse os muçulmanos, aproveitando-se do facto do rei ser cristão; disseram até que os muçulmanos estavam contra os seus deuses, falavam mal de Jesus, etc.
O rei, justo que era, mandou chamar os refugiados muçulmanos e procurou saber acerca da veracidade das acusações. Pela voz de Jáffar Ibn Abi Tálib (RTA), responderam que adoravam uma só Divindade e, para o tal, seguiam o profeta Muhammad (SAW), que lhes ensinava a moral, o amor mútuo e a libertação dos vícios que proliferavam entre eles; quanto a Jesus, disseram que era um profeta de ALLAH e que merecia todo o respeito, assim como os outros profetas.
O rei não duvidou que se tratavam de ensinamentos Divinos e que o profeta Muhammad (SAW) era verdadeiro. Assim, recusou o pedido dos enviados Quraishitas e instruiu aos muçulmanos que continuassem no exílio até que a situação do seu país melhorasse.
Com esta atitude do rei Negus, confirmaram-se os atributos que os africanos ostentavam, e permitiram a assimilação rápida do Isslam neste continente.
O primeiro Muazzin (homem que dá o Azán - chamamento para a Oração) na Arábia, foi Bilal (RTA), um escravo de orígem africana.