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Será Que o Isslam se Expandiu à Base da Força?

Há bem pouco tempo, o Papa Bento XVI afirmou num auditório em Alemanha, certas citações que representam uma provocação aos preceitos do Isslam, numa altura em que muito se fala acerca do diálogo inter-religioso.
O Papa citou a conversa entre o imperador bizantino cristão Manuel Paleologos II e um erudito persa, acerca do cristianismo e do Isslam: "Mostra-me o que é que Muhammad trouxe de novo, e encontrarás somente coisas más e desumanas, tais como a ordem de espalhar pela espada a fé que ele pregou".
Não se sabe exactamente o que o teria levado a pronunciar tais afirmações, mas há factos que, segundo a BBC Brasil, indicam que essas afirmações tinham por objectivo desviar a atenção da imprensa, sobre um provável escândalo na Igreja acerca do abuso sexual a menores e da prática do homossexualismo entre os padres católicos.
Verdade ou não, cabe a cada um de nós fazer uma análise sobre o tal pronunciamento contra a personalidade do nosso querido profeta Muhammad (SAW) e o Isslam.

A História é testemunha das barbaridades que a Igreja cometeu em nome de Cristo, com o avale dos seus vigários, bastando recordarmos das cruzadas que foram lançadas pelos cristãos ao longo de séculos, saindo da Europa em direcção ao Oriente, particularmente para os países isslámicos, com o objectivo de conquistá-los, colonizá-los e pilhar as suas riquezas.
E as inquisições, que são muito bem conhecidas, onde foram ceifadas milhares de vidas humanas, pura e simplesmente pelo faco de não crerem no crisitianismo!
Quem fosse contra a Bíblia também era morto, assim como foi o caso do físico e astrónomo Galileu Galilei, que foi morto pelo facto de recusar a ideia de que é o Sol que gira à volta da Terra; depois de séculos é que a Igreja pediu desculpas sobre esse assunto.
Há meio século atrás, quando os nazis perpetraram o holocausto com o objectivo de segregar as pessoas, causou o genocídio de seis milhões de judeus.
Quem esteve por detrás do Apartheid, aqui na vizinha África do Sul?
Agora, são as cruzadas dos exércitos cristãos no Iraque e no Afeganistão.
Aqui na África, no norte de Uganda, temos ainda um grupo que está a travar uma guerra sangrenta há mais de vinte anos; trata-se do Exército de Resistência do Senhor (LRA), cujo objectivo é criar um Estado cristão nesse país.
Provavelmente, esta é a guerrilha mais bruta e cruel a operar no Mundo, pois amputam os lábios e órgãos das suas vítimas; milhares de aldeões ugandeses sofrem das mutilações e mortes causadas por esses soldados. Cerca de 25 mil crianças foram raptadas pelo LRA para serem soldados menores e escravos.
Há muitas outras violências que o cristianismo causou, que poderíamos mencionar aqui. Será que o Papa desconhece tudo isto? Se sim, então que isto sirva para refrescar-lhe a memória!

A Igreja tem um quintal de vidro muito frágil. Por isso, é perigoso lançar pedras para o quintal do vizinho.
Em África, Ásia e América, ainda residem na memória dos seus habitantes, imagens chocantes do papel cruel que a Igreja desempenhou contra eles, principalmente durante a escravatura.
Porém, é caricato que hoje a mesma Igreja procura explorar a pobreza causada pelos europeus, a fim de ter os negros e asiáticos pobres como seus principais adeptos, uma vez que na Europa, o cristianismo vai perdendo cada vez mais os seus seguidores, pois a Igreja não tem conseguido responder aos problemas contemporâneos que a sociedade vive. A prova disso é o suicídio de um padre reformado na Alemanha, há cerca de um mês, tendo deixado uma carta manifestando o seu repúdio contra o crescente aumento do número de muçulmanos e acusando a Igreja de nada fazer para travar isso.

Isslam é a religião que mais se expande quer na Europa quer nos EUA, onde existem cerca de seis milhões de muçulmanos que seguem esta religião sem que ninguém os tenha forçado para tal. Um artigo publicado pela Readers Digest em 1986, revelou que o número de muçulmanos em todo o mundo cresceu 235% e o de cristãos teve um aumento de 47%.
Agora pergunta-se: Que espada ou força foi utilizada para atrair esses milhões de pessoas para abraçarem o Isslam?
Se de facto foi pela espada, então foi a espada de prudência que conquistou os corações e mentes dessas pessoas. O Isslam em si é tão forte que não necessita de utilizar força para atrair as pessoas; a superioridade moral e intelectual do Isslam manifestou-se claramente na sua história e é por essa razão que esta é a religião monoteistica com o crescimento mais rápido.

Bem disse um líder religioso africano: "Quando os europeus cá chegaram, tinham a Bíblia na mão e nós tinhamos a terra; porém, numa mera distracção, eles levaram-nos a terra e deixaram-nos com a Bíblia!"
Os africanos ainda não se esqueceram que as tropas coloniais que vinham para África, eram abençoadas e encorajadas pelo Papa e pelos cardeais católicos ao deixarem as suas terras.
Talvez a Igreja tenha-se inspirado nos seguintes versículos bíblicos, o que levou-os a agir daquela forma:
"E, quando aqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os (degolai-os) diante de mim."

[S. Lucas 19:27]

"Não cuides que vim trazer a paz na terra; não vim trazer a paz, mas a espada."

[S. Mateus 10:34]

Por outro lado, o Al-Qurán condena que alguém seja obrigado a abraçar o Isslam, pois ALLAH diz:
"Não há constrangimento na religião (para aceitar), pois o caminho verdadeiro já está distinto do errado."

[Al-Qur'án 2:256]

Portanto, não é permitido forçar a quem quer que seja, a abraçar o Isslam, e isto é claramente evidenciado pelo versículo citado.
A afirmação de que o Isslam se expandiu à base da espada não é mais do que um produto de inveja e intolerância por parte daqueles que tentam, infelizmente, ir contra a maré do avanço da mensagem natural e humana desta pura religião, que fora aceite espontânea e universalmente onde ela chegasse.
O Isslam não se expandiu à base da força. Todas as batalhas travadas pelos muçulmanos foram de carácter defensivo. ALLAH diz a respeito da permissão da guerra:
"A permissão foi dada aos que foram combatidos (pelos descrentes) para usar armas, porque foram oprimidos. Na verdade, ALLAH é capaz de socorrê-los; são os que foram injustamente expulsos dos seus lares, só porque disseram: Nosso Senhor é ALLAH."

[Al-Qur'án 22:39-40]

E diz ainda: "Combatei pela causa de ALLAH, aqueles que vos combatem, mas não sejais os primeiros a agredir (provocar), pois ALLAH não ama os agressores."

[Al-Qur'án 2:190]

E mesmo durante essas guerras, é proibido molestar mulheres, crianças, idosos e deficientes. Se a força tivesse sido usada para obrigar os descrentes a aceitarem o Isslam, porque é que uma grande maioria da população em todo o mundo ficou fora do recinto do Isslam?
Portanto, as batalhas que foram travadas pelo profeta Muhammad (SAW) foram de carácter defensivo, pois todas elas foram travadas próximo de Madina, o que significa que os Quraishitas saíam de Makkah em direcção à Madina a fim de atacarem os muçulmanos e, obviamente, estes tinham que se defender.
Para mais pormenores, aconselhamos o leitor a consultar o livro "Muhammad (SAW) - O Mensageiro de Deus", da autoria do Sheikh Aminuddin Muhammad.

A existência de minorias cristãs na Ásia é suficiente para provar a tolerância isslámica, pois aquando da governação isslámica nos países como Índia e outros, não se impôs a conversão ao Isslam. Mas o mesmo não aconteceu com os muçulmanos na Península Iberica, durante as inquisições dos cristãos europeus, etc.

A existência do Massjid de Xian, na China, construída no século VII e remodelada mais tarde, é prova de que o Isslam chegou à China durante a Dinastia Tang, sem que para lá se tenha enviado algum exército!
Outra grande prova é a Indonésia, o país com a maior população isslámica do mundo, onde nunca sequer chegou algum exército muçulmano; como é que todos eles abraçaram o Isslam?
Foram os belos ensinamentos do Isslam e o comportamento dos muçulmanos em geral, incluindo comerciantes e visitantes, que con-venceram os povos a abraçarem o Isslam em várias partes do mundo, assim como é o caso de Moçambique, Tanzania e maioria dos países da África Oriental e Setentrional.
Para os historiadores imparciais, não há nada mais deplorável do que esta propaganda cobarde contra aquilo que é mais justo no Mundo.
E, porque "Isslam" significa Paz, torna-se claro mesmo para aqueles que não são muito inteligentes, que o Isslam nunca pode defender a agressão bruta.

Para finalizar, citamos algumas opiniões de eruditos muçulmanos e não-muçulmanos a esse respeito:

"A História esclarece que a lenda sobre fanáticos muçulmanos varrendo o mundo e forçando para o Isslam através da espada as pessoas conquistadas, é um dos mitos mais fantasticamente absurdos que os historiadores têm repetido!"
- Lacy O´Leary,
"Isslam at Crossroads". London, 1923

"Nenhuma outra religião na História se expandiu tão rapidamente como o Isslam. O Ocidente acreditou amplamente que esta expansão religiosa foi possível apenas através da espada. Porém, nenhum erudito moderno aceita esta ideia, e o Qur'án é explícito no suporte à liberdade de consciência."
- James A. Michener,
"The Misunderstood Religion". Readers Digest (American Edition), May 1955.

"Estes factos bem estabelecidos induzem a ideia amplamente fomentada nos livros cristãos, de que os muçulmanos, para onde iam, forçavam as pessoas a aceitarem o Isslam com a ponta da espada falsa."
- Lawrence E. Brown,
"The Prospects for Isslam". 1944

"Que guerra ocorreu neste século para converter milhões de pessoas ao Isslam?"
- Dr. Zaquir Naik